Arquivo do autor:General Kutuzov

Rio +20 e a defesa aérea do Brasil

Há um bom tempo este velho general de pijama não escreve neste espaço. Hoje, lendo uma matéria do portal G1 resolvi sair do meu silêncio.

No ano passado havia dito que a defesa aérea no Brasil era frágil, o fato é que nada mudou. Lendo o texto do G1 resolvi fazer alguns comentários.

O Exército posicionou canhões e lançadores de mísseis em um círculo de 4 km ao redor do Riocentro, principal local de eventos da Rio+20, para abater aeronaves suspeitas em caso de uma possível invasão ao espaço aéreo onde estarão reunidos mais de 130 chefes de Estado, segundo o general Marcio Roland Heise, que comanda artilharia antiaérea brasileira.

O general diz que 300 militares especializados estão trabalhando desde o início da semana para “fazer frente a qualquer tipo de ameaça que tenha a intenção de atacar aquele lugar”

General, com todo o respeito, você sabe bem, assim como eu, que não estamos preparados para a maior parte das ameaças. Nossa defesa aérea é pífia e eu teria vergonha de falar sobre ela. Davi dando pedradas em Golias tinha mais chance que nós neste tipo de embate.

Entre o armamento disponível estão canhões Oerlikon e Fila/Bofors de 40 mm, além de mísseis portáteis russos Igla, capazes de destruir aviões ou helicópteros com apenas um disparo. A quantidade de armas e misseis disponíveis não foi divulgada. Cada míssil custa cerca de US$ 80 mil (R$ 165.600).

É o mesmo material que publicamos ano passado. Sucata da antiga URSS. Canhão usado na segunda guerra mundial e outro dos anos 30. Um país como o Brasil ter este lixo como defesa aérea deveria ser um fato que levasse o general de se envergonhar de mencionar o material de que dispõe.

“Estaremos em locais estratégicos e de forma mais discreta possível, para que possamos camuflar nosso dispositivo. Não há a necessidade das pessoas ou de possíveis inimigos saberem ou identificarem nossas posições”, acrescenta o general, em entrevista ao G1.

Seria para rir se não fosse assunto sério. Meu amigo general, se vier o inimigo mesmo nós estamos lascados.

Tanto os misseis como os canhões são utilizados para alvos de baixa altitude (até 3.000 m) e a até 4 km de distância. Os misseis são do tipo “atira e esquece” – guiados por atração infravermelha e obedecem a uma programação de um software e sincronizado com o movimento do alvo no radar.

Atira e reza é o que o repórter deve ter desejado dizer.

Entre 8 e 23 de junho, o espaço aéreo sobre o Riocentro estará bloqueado pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra). Apenas aeronaves previamente autorizadas podem passar pelo local, como aviões e helicópteros militares, de segurança pública e de serviços médicos.

….  Acima da altitude de 3.000 m, a responsabilidade de abater ou conter possíveis ameaças será de caças da Força Aérea Brasileira, que também estarão posicionados para interceptar aeronaves que se aproximarem do Riocentro.

Pois é. Até porque se tiver algo acima de 3 mil metros as baterias aéreas de que dispomos não dão conta. Quem sabe chamando os índios para atirar tacape nos inimigos.

Uma foto que devia envergonhar os militares sobre o estado da defesa do país

Uma foto que devia envergonhar os militares sobre o estado da defesa do país

Faltam militares com aquilo roxo. Ou a bolinha do bilhão

Todos lembramos do vergonhoso episódio da bolinha de papel protagonizado pela TV de Silvio Santos, que durante o regime militar puxava o saco dos militares com o “A Semana do Presidente” e agora para bajular Dilma, resolveu fazer sua versão de “A semana da terrorista”, mostrando como aqueles terroristas que queriam implantar uma ditadura comunista no Brasil e agora vivem da safadeza do bolsa ditadura eram almas sensíveis.

Ao ver o vídeo que vai abaixo você pode ficar nauseado, a seguir a nausea pode se transformar num perigoso sentimento de fazer justiça.

Estão zombando dos militares ao passar isto na televisão. Colegas de farda: generais, coronéis, majores, a hora é agora, protestem, e se preciso for, defendam o Brasil!

Precisamos armar a população e rezar pelos mortos na tragédia

Num momento de tragédia, nós que somos pais sentimos uma dor imensa de ver outros pais sofrendo, o governo do PT busca soluções fáceis e inapropriadas. Falam em desarmamento.

Vale lembrar a Dilma e ao seu escudeiro ministro da justiça, que nem no massacre de hoje em Realengo, nem no massacre feito pelo aluno de medicina da Santa Casa, a arma usada era legalizada.

Precisamos garantir aos brasileiros o direito, e algumas vezes dever, da legítima defesa. Idéia tão bem expressa na 2a emenda da Constituição dos Estados Unidos da América: “A well regulated militia being necessary to the security of a free State, the right of the People to keep and bear arms shall not be infringed.

Ter uma arma é um direito do cidadão. É o exercício do direito de legítima defesa.

Sarkozy vai por o Rafale em demo na Líbia

A situação na Líbia é muito complexa e quem entrar ali corre o risco de se ver metido num lodaçal do qual será difícil sair.

Vi agora na CNN que o Sarkozy, em nome da Otan vai usar a força aérea francesa contra as forças do Coronel Kadafi. Bom, vamos aos fatos. O Rafale, que é a aeronave que deve ser usada para impor a zona de exclusão aérea tem um raio de combate de 1800km como pode ser visto no mapa abaixo:

Acontece que os líbios tem sistemas anti-aéreos que não são tão frágeis como o Brasil como o S300 (foto abaixo), eles possuem cerca de 800 sistemas de misseis terra-ar e as aeronaves francesas sem o apoio americano podem sofrer pesadas baixas.

Além disso, o Coronel Kadafi, tem mais de cem aeronaves de caça e ataque, podendo, numa hipótese desesperada, atacar alvos em toda costa do mediterrâneo. Imagina você na cotê d’Azur tomando um KAB-500L na cabeça?

Na hora que a coisa ficar feia, vão ter que chamar os americanos para limpar, foi mais ou menos o que aconteceu na segunda guerra. Fizeram lambança e vieram os americanos consertar.

E o Brasil vai ver que o Rafale não é uma boa opção…

Defesa aérea do Brasil é frágil

Hoje o jornal Estado de São Paulo publica uma matéria de duas páginas sobre o estado em que se encontram as forças armadas brasileiras. O cenário não é nada bom, mesmo comparando com alguns vizinhos, em concreto Chile e Colômbia. A Venezuela tem alguns equipamentos bons, mas a qualidade de suas forças armadas é de lamentável para baixo.

Dentre os pontos mencionados penso que o mais grave é a defesa antiaérea brasileira. A defesa do espaço aéreo se dá de duas formas: interceptação e fogo antiaéreo.

A interceptação atualmente depende dos Mirage-2000C baseados em Anápolis e para aviões de pequeno porte dos A29, os Super Tucanos. O F-5EM pode também ser usado como interceptador.

No entanto, depender totalmente de interceptação, considerando que temos 12 Mirage-2000C e uns 60 F-5EM é algo bastante arriscado do ponto de vista de defesa.

O Exército, em concreto a arma de artilharia, é responsável pelo abate de agressores que invadam o espaço aéreo quando não há cobertura de caças em tempo razoável. Acontece que nossa artilharia tem equipamentos muito precários. Tão precários que ousaria dizer que a defesa antiaérea baseada em solo não existe no país.

O único míssil terra-ar em operação no Brasil é o Igla-1, de operação manual e com capacidade de atingir aeronaves até 10000 pés. Muito pouco, ridiculamente pouco para um país como o Brasil.

Apesar de não ser um item de primeira necessidade no momento atual, a falta de fogo terra-ar mostra o amadorismo e a incompetência do governo petralha na gestão de assuntos estratégicos do país.

Os comandantes das três forças armadas, General Enzo Perri, Almirante, Brigadeiro Juniti Saito e o Almirante Julio Soares precisam pressionar de maneira incisiva o ministro da Defesa e a presidente da república para que cumpram a Constituição e forneçam às forças armadas condições dignas de defender o território nacional.

Defesa Antiaérea do Brasil

Aviação brasileira flerta com o desastre

Ganância de empresário, falta de fiscalização, aparelhamento de órgão do governo, nulidade de oposição e imprensa incompetente e chapa branca é um dos caminhos mais curtos para o desastre.

Este artigo, não terá todos os dados que gostaria, porque muitos deles não conseguirei confirmar com o rigor necessário para não expor o Corisco a um processo judicial. No entanto já que não posso dar os nomes aos bois, vamos examinar alguns fatos e fazer um alerta.

O que eu sei com certeza: pelo menos dois funcionários de uma compania aérea brasileira, afirmaram de forma categórica que um novo acidente aéreo no país é algo que acontecerá em breve. Minha reação foi mais ou menos a mesma que você deve estar manifestando aí: é óbvio que um acidente acontecerá, de tempos em tempos sempre acontece. A explicação de ambos foi que não estavam falando de algo fortuito mas sim de algo que acontecerá por um descuido sistemático da segurança.

Você fala de todas as empresas aéreas do país? Não. Talvez existam outras com problemas neste quesito, mas ouvi sobre uma em concreto.

Um acidente aéreo é um fato raro, mesmo na África acontecem numa taxa de 1 para 500.000 decolagens, no entanto é algo extremamente traumático para a população e para o sistema de transportes de um país. Por esta razão a segurança em aviação é algo levado muito a sério e a taxa de acidentes tem caído de forma constante ao longo dos anos.

Por isso, para que ocorra um acidente aéreo é necessário uma série de falhas encadeadas: por exemplo na queda do Gol 1907 em 2006, houve, entre outras coisas, falha no controle de tráfego aéreo brasileiro, na comunicação, na operação do Legacy que colidiu com o Boeing. Se um destes eventos tivesse sido evitado a tragédia não teria acontecido.

Portanto quando se diz que numa determinada empresa aérea há um clima muito propício para um acidente, significa, segundo explicaram minhas fontes, que há um descuido sistemático de pontos não essenciais, mas que seria prudente que não fossem negligenciados.

Este descuido abre caminho para que uma ou mais falhas causem um acidente fatal.

O leitor pode estar se perguntando: e a ANAC? Bom, a ANAC sofre do mesmo mal de ANATEL, ANEEL, ANA, etc. Falta de autonomia, apadrinhamento e aparelhamento (no sentido político). Bom, e os pilotos? Muitas vezes os pilotos são constrangidos a voar em condições que, embora não temerárias, são desconfortáveis dentro do treinamento que tiveram visando a segurança de seus passageiros.

E agora, quem poderá me salvar? Bom, não será o Chapolim Colorado, deveria ser a imprensa ou a oposição. A oposição praticamente sumiu e a imprensa sofre de uma doença terminal: a falta de competência para falar de aviação e o medo de perder verbas de publicidade do governo federal.

Qual a solução General Kutusov? A solução ao meu ver é um whistleblower: alguém de dentro, da manutenção ou um piloto desta companhia aérea que procurasse um jornalista sério, munido de documentos, para que se fizesse uma grande reportagem. Uma reportagem mostrando os erros cometidos até aqui e denunciando o proceder desta companhia em vários riscos que ela assumiu nos últimos meses.

Sarney pela 4a vez presidente do Senado – VERGONHA

José Sarney foi eleito pela quarta vez presidente do Senado. Se eu fosse o presidente da república, mandaria colocar a bandeira a meio pau e decretava 30 dias de luto oficial.

No ano 85, quando ele assumiu, lembro de ter ouvido de um general das gloriosas forças armadas (a qual orgulhosamente servi): não devíamos ter deixado o poder…

Tinha razão o saudoso general. Deixar Sarney assumir foi um erro grosseiro. O que deveríamos ter feito era dizer para o Figueiredo segurar a faixa e esperar o Tancredo morrer e aí convocar eleições novamente.

Mas é a velha história, se você não mete a estaca no coração do vampiro, ele volta para assombrar. Agora são mais dois anos de Sarney… E se bobear vai ter Renan depois.

Tensão entre Dilma e os Militares – O exemplo do AI-5

Muitos de vocês podem pensar que o principal motivo de tensão entre Dilma e os militares é a tal da comissão da verdade, que em tese investigaria os crimes cometidos durante os anos 64-84 pelo governo do Brasil e pelas forças insurgentes.

Sei que o próprio Corisco pensa assim. No entanto, do alto de minha experiência militar, contarei para vocês a historinha do AI-5.

Era uma vez, em Banânia (como costuma dizer Reinaldo Azevedo) um deputado chamado Márcio Moreira Alves que resolveu fazer um discurso conclamando (os comunas tentam negar isto) as mulheres dos militares a fazerem greve de relações conjugais, o governo Federal do General Costa e Silva pediu licença ao congresso para processar o deputado e como não houve acordo baixou-se o AI-5.

Não concordo com o AI-5, nem com as provocações baratas de um Márcio Moreira Alves, não defendo nem um nem outro. No entanto, a história pode servir para que Dilma reflita com que delicadeza trata os comandantes das forças armadas.

Ver uma ex-guerrilheira no poder os militares podem aceitar, em 64 não aceitariam, ver a palhaçada da abertura dos arquivos do Regime de 64, podem aceitar. Desaforo creio que não irão aceitar.

Do ponto de vista militar este é o conselho que daria a atual presidente. Pode xingar seus ajudantes, seus ministros, seus assessores, mas nunca, em hipótese alguma ofenda os militares que lhe acompanham.

O drama dos caças da FAB: que vença o pior!

Eliane Cantanhêde (na Folha, 06-XII)

A presidente eleita, Dilma Rousseff, formaliza hoje o convite para que o ministro Nelson Jobim permaneça na Defesa e conclua dois processos já iniciados: a compra dos novos caças da Aeronáutica e a retirada do setor de aviação civil da pasta.

A primeira sondagem para Jobim continuar na Defesa foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda durante as eleições. Os dois acertaram que ele ficaria pelo menos nos dois primeiros anos do novo governo, caso Dilma fosse eleita.

Depois da vitória, o ministro foi também procurado por Antônio Palocci, que é da equipe de transição de Dilma e será o futuro chefe da Casa Civil.

Eles discutiram a conclusão dos processos de reestruturação das Forças Armadas e de modernização dos equipamentos militares, principalmente com a compra dos novos caças, que se arrasta desde os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

Palocci, assim, organizou a pauta do encontro Dilma-Jobim de hoje. Na sexta-feira, 7/11, a própria Dilma telefonou para Jobim, marcando a data para bater o martelo.

A expectativa é a de que saia desse encontro a definição do modelo de caça que irá renovar a frota da FAB (Força Aérea Brasileira).

São três os finalistas deste processo, Grippen (Sueco), F18E/F Super Hornet (EUA) e Rafale (Francês). A aeronáutica fez um longo estudo técnico e econômico do assunto e gerou um relatório apontando suas preferências.

Qualquer coisa que eu diga será de qualidade inferior ao material que foi cuidadosamente elaborado na Força Aérea, portanto o trabalho aqui é de analisar as implicações do mesmo.

No relatório, que foi tornado público através da imprensa, o preferido é o Gripen NG que tem como principais desvantagens  ser monomotor e não estar ainda pronto e tem como principais vantagens o fato de que seria totalmente montado no Brasil, consequentemente com a maior transferência de tecnologia, é o mais barato dos três e quando entrar em operação em 2014 será o mais moderno de todos os concorrentes.

O segundo colocado é o F18-E/F SuperHornet, a versão mais moderna do F18 (com mais de 1500 unidades fabricadas), tem enorme experiência em combate assim como seu irmão mais velho o F18 Hornet, a primeira missão foi em 2002 durante resposta a fogo anti-aéreo lançado do Iraque antes da invasão, e já participou de inúmeras operações de combate real sem nenhuma perda.  O F18 SuperHornet tem 400 unidades produzidas e mais de 500 encomendas pelos EUA e várias unidades operando na Austrália. O governo americano autorizou, caso o F18 vença a concorrência FX-2, transferência total de tecnologia, fato só permitido a aliados muito próximos. Além disso o custo do F18 é cerca de 75% do custo do Rafale.

Já o Rafale ficou em último lugar e deve ser o adquirido pelo governo LulaDilma. Por que? Esta é a pergunta de vários bilhões de dólares. O Rafale, quase não tem esperiência de combate, deve ter voado umas poucas missões em situação muito controlada no Afeganistão com forte suporte americano, não pode operar no porta-aviões São Paulo, custa mais caro que todos os outros concorrentes, o dobro do Grippen NG, e ainda por cima carrega consigo 4 acidentes em 82 unidades entregues (taxa de acidente de 4,8%).

Por que o Rafale? O mais caro, o último colocado no relatório da FAB, o que tem mais acidentes, o que não serve para o porta-aviões que temos…

Alguém se aventura a fornecer alguma explicação?

A operação no Complexo do Alemão foi um fiasco

Decidi não escrever sobre este assunto durante cerca de uma semana para ter uma visão com mais perspectiva da situação e poder emitir opiniões mais desapaixonadas.

Em primeiro lugar, é fundamental que a crítica dura que vai aqui não é dirigida aos membros das forças policiais que arriscaram sua vida naqueles dias. Importante notar, também, a mobilização de policiais militares e civis aposentados. Digna de louvor igualmente foi o apoio da população.

Tendo feito estas observações podemos agora fazer nossa crítica.

Não escapam de um cerco militar mais de 80% das tropas do inimigo, principalmente se estiverem portando armas.

Vamos então enumerar os erros da operação:

1) Fuga da Vila Cruzeiro para o complexo do Alemão: entre 200 a 250 homens armados escaparam por um região de mata, sem nenhuma moradia ou civil por perto, armados eram alvos legítimos para um ataque aéreo. Aqueles homens não podem ser tratados como bandidos comuns, sim como terroristas ou como uma tropa de infantaria em retirada para reagrupamento.

2) Prazo para rendição: Quando foi emitida a ordem de rendição no complexo do Alemão não foi dado um prazo. Além disso como o prazo foi até o por do sol, houve toda a noite para os bandidos prepararem uma possível fuga.

3) Cerco militar. Aparentemente foi bem feito, mas faltou verificar possíveis rotas de fuga e vigilância aérea para observar movimentações anormais de pessoas.

4) Montagem do perímetro: pelo número de homens de que as forças de segurança dispunham, o comando poderia ter montado um perímetro com duas camadas, uma mais próxima e outra mais distante, isto faria com que eventuais evasões pudessem ser contidas no segundo nível de proteção.

E finalmente as hipóteses para o modo como se deu a fuga, se confirmadas, são algo que desmoraliza o Governador do Rio de Janeiro, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e o presidente Lula.

Vamos analisar as hipóteses: a imprensa na véspera falou muito em 600 bandidos armados no Complexo do Alemão. Outras fontes deram números variados de 1000 a 2000. Havia, segundo estimativas da polícia, cerca de 500 fuzis, e um numero muito maior de revólveres e pistolas.

Foram presos apenas 3 ou 4 traficantes importantes e mais uns 40 a 50 de menor importância. Mortos na operação muito poucos. A explicação para a fuga se divide em: os bandidos teriam fugido pelas tubulações que obrigaram funcionários do PAC a fazer ou que havia ocorrido um furo no cerco com entrega de 70 quilos de ouro.

A primeira hipótese esbarra em dois problemas: em primeiro lugar as obras do PAC correm com supervisão do governo Federal, Dilma era a coordenadora do PAC e uma galeria de túneis não se constrói com poucos recursos financeiros; além disso as construtoras que operam a obra se soubessem da construção de túneis e não tivessem informado à polícia seriam cúmplices. Outro problema para esta retirada em massa é que uma vez alcançada a rede de esgoto o calibre da mesma dificultaria muito uma fuga ordenada em tempo curto.

A segunda hipótese é mais plausível, corrupção na banda podre da polícia ou pior no exército. Setenta quilos de ouro como se comentou valem quase 4 milhões de dólares. Mesmo contando com a corrupção policial, os helicópteros que sobrevoavam a área deveriam ter alertado para a movimentação de tropas de traficantes.

Em resumo, não há uma explicação convincente para o que aconteceu, muitos traficantes fugiram, supostamente com armas e podem se reagrupar e voltar a atacar. Caso a fuga tenha se dado com ajuda de policiais corruptos o fato é grave e demandaria punições exemplares. Caso tenha sido com o auxílio do PAC, seria o caso de chamar às falas o presidente da república.