Sabatinas no Senado

O secretário de defesa dos EUA, Robert McNamara confessa no famoso documentário, Sob a névoa da guerra, que uma das coisas que mais colocavam medo num secretário de governo americano era ser chamado para uma sabatina no Senado.

As sabatinas pelas quais passam periodicamente os vários secretários que compõem o poder executivo nos EUA são temidas por serem eventos exaustivos. As sabatinas de candidatos a juízes da suprema corte podem durar semanas, nelas é exigido um conhecimento detalhado do assunto que está sendo debatido, o entrevistado tem muito pouco espaço para respostas evasivas e os senadores com auxílio de assessores estão muito bem preparados tecnicamente para as questões.

Não ousaria dizer que os Senadores norte-americanos são mal educados em suas perguntas, no entanto é um fato inegável que, algumas vezes ou muitas vezes, não tem o mínimo pudor de fazer perguntas constrangedoras.

Já no Brasil a situação é bem diferente, uma sabatina no Senado é um passeio no parque, sem nenhum exagero na comparação. Idiota é aquele que teme ser sabatinado naquela casa legislativa já que caso governista será defendido pela tropa de choque do governo que não tem o mínimo escrúpulo em negar o obvio, falsear dados, fazer manobras regimentais para atrapalhar o contraditório, acusar os que cobram informações do entrevistado de falta de delicadeza, exigir um rito solene para evitar que perguntas embaraçosas sejam feitas. O entrevistado, por sua vez, caso não seja néscio, sabe que mentir é algo absolutamente tolerado, que ninguém o vai colocar contra a parede e que mesmo confrontado com evidências pode negar e mesmo assim não sairá dali desmoralizado. É importante no entanto saber fazer-se de cachorro morto, de incapaz mental, de despistado, nada de soberba e a sabatina passa rápido e se volta aos afazeres e atividades não tão republicanas.

Entre os “pela ordem senhor presidente”, “peço um aparte” e outros artifícios do gênero o entrevistado passa incólume e ganha tempo para respirar quando mais pressionado. Além disso, sabe bem ele que dificilmente os senadores vão estar bem preparados para colocá-lo contra a parede ou para citar dados imprevistos.

Se a situação é triste no Senado é lastimável na Câmara, ali a falta de preparo da maioria dos deputados, aliado a um desinteresse, fazem a vida do ministro ou candidato a algum cargo de nomeação uma tarefa mais fácil que tirar doce da boca de criança.

Precisamos mudar isto imediatamente. Temos que acompanhar as sabatinas e cobrar dos senadores presentes mais preparo, cobrar que invistam em mudanças regimentais que façam o contraditório durar o tempo que for necessário para se esclarecer determinada questão, que se impeçam manobras que visam confundir para tirar o foco da discussão.

Se não se fizer isto, o aparelhamento estatal, que estamos vendo, irá atingir todo o governo federal e até mesmo a suprema corte.

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  1. Sabatina no congresso deveria ser igual às escolas no passado: cada resposta errada um bolo com palmatória. Mas aí os sabatinadores teriam que levar uma dúzia cada um primeiro.

  1. Pingback: Seção Muda Brasil: Sabatinas no Senado | Se entrega Corisco eu não me entrego não

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