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Como fazer oposição política segundo César Maia

COMO FAZER OPOSIÇÃO POLÍTICA!

Coluna de sábado de Cesar Maia na Folha de SP (08).

1. A oposição aos governos se dá de três formas. A primeira é a clássica oposição ideológica, em que um partido se opõe ao governo por suas ideias (esquerda-direita, liberalismo-socialismo…). Era a oposição clássica nos séculos 19 e 20. Aponta a sua própria base eleitoral. E tende a afirmar a base ideológica do governo. A segunda é a função constitucional de fiscalização e legislação. Aqui, a oposição procura destacar os desvios constitucionais, a conduta do governo e as contradições entre o que diz e o que faz e separar propaganda da realidade.

2. É como uma guerrilha política, parlamentar e judicial, que desgasta progressivamente o governo por seus desvios, afetando a sua imagem. A terceira forma é a mais importante do ponto de vista político-eleitoral e a mais abrangente, pois amplia a base de apoio da oposição. Depende das circunstâncias, e não da vontade da oposição. Numa conjuntura de problemas que enfrente o governo (econômica, moral…), a oposição deve estressar os problemas e estender, no tempo, o debate sobre eles. Mas não é a oposição que os cria.

3. Para isso, deve estar atenta aos problemas no nascedouro e dar oxigênio para a opinião pública e a imprensa. Os valores, por exemplo, cabem na primeira forma, mas podem surgir na terceira. A questão do aborto no Brasil em 2010 é um exemplo. Era questão fora do debate. Mas o PNDH-3 reabriu a discussão. A oposição chegou atrasada, e o tema veio de baixo para cima, pelas igrejas. Transformou-se em “hit” da terceira forma em 2010 e reforçou a identidade conservadora.

4. Nos EUA, os republicanos em 2009/2010 mostraram maestria ao trabalhar nas três frentes: ideológica, parlamentar e conjuntural, explorando os pontos frágeis de Obama e a economia. A vitória foi tripla. Exemplo da segunda forma são as sistemáticas invasões de competência do Executivo sobre o Senado, em que a oposição tem se mantido passiva. As questões temáticas (saúde, segurança, educação…) devem ser tratadas simultaneamente nas três formas. Por exemplo, as políticas públicas relativas à regulamentação da emenda 29 na saúde, os resultados pífios da educação, o aumento da violência.

5. 2011 anima a oposição. Os problemas de gestão política serão inevitáveis num governo montado por cotas. Virão ampliados num ano frágil economicamente, vis a vis a lembrança do mito. Abrem um amplo espaço à oposição. Se fatos passam a ter cobertura da imprensa em forma de campanha, mais fácil será multiplicar em direção à sociedade e galopar os espaços abertos. E a artilharia deve ser sistemática e diversificada, à moda europeia. Nunca se sabe qual é o “tipping point”.

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Fim do governo Lula: o pior da história do Brasil

Hoje acaba o governo Lula. Foram 2922 dias em que apesar de o país ter andado para frente em alguns aspectos econômicos, graças ao antecessor de Lula, houve um profundo retrocesso em outras áreas que somados fazem deste governo o pior em 121 anos de República. Ousaria dizer mais: o pior desde que Cabral (Pedro Álvares, não o Sérgio) pôs os pés aqui.

Alguns podem pensar que exagero. Não. Não exagero. O dano causado por Lula deixa raízes profundas no país: corrupção sistêmica como nunca antes, um inacreditável aparelhamento do estado, desconstrução das instituições do estado, loteamento das agências regulatórias, nepotismo, tráfico de influência, populismo.

No entanto, o pior dano que Lula causou ao país foi, como já apontamos aqui, o fim da vergonha na cara e o triunfo da iniquidade. Ao ser pego roubando as pessoas sentiam vergonha da cobrança da sociedade, no atual governo se conseguiu um grau de cinismo tão grande que homens como Delúbio Soares disseram que a maior corrupção da história do país: o mensalão, iria virar piada de salão.

Nestes últimos dias vimos vários jornalistas bajulando Lula: alguns figurinhas carimbadas, já apontadas por Cavalo Louco neste blog, como Élio Gaspario. Outros, críticos do governo Lula como o colunista do Estadão: Carlos Alberto di Franco, que apontou erros mas mostrou um lado otimista onde não há nada para se jactar.

O governo Lula termina de maneira melancólica, com uma grande confusão da juventude. Ontem mesmo um rapaz do Ceará de 18 anos escrevia no meu Twitter argumentos estapafúrdios defendendo a permanência de Cesare Battisti no Brasil. Para este rapazinho, já contaminado pela dialética lulista, Battisti seria um perseguido político pois ele é de esquerda e o governo da Itália é de direita (sic)… Com uma juventude assim, nós que estamos a beira do abismo, daremos um passo para a frente.

Há esperança? Se José Serra tivesse ganho a eleição hoje seria um dia extremamente alegre, seria o dia em que derrotamos a iniquidade. No entanto, hoje é um dia em que há uma alegria agridoce. Sai Lula e isto nos alegra, entra Dilma e isto nos entristece.

Novamente: há esperança? Sim há esperança. Temos que nos organizar, nos reagrupar para combater a podridão que se instalou no Brasil.

Feliz 2011 a todos. Que seja um ano de muitos combates! Vive la Resistance!

Por um partido de direita

Seguimos, todos os colaboradores fixos deste blog, escrevendo como pensamos deveria ser um partido de direita no Brasil.

Gostaria de convidar a todos os leitores que visitem as páginas fixas sobre o assunto que ficam no menu horizontal e deixem sua opinião ou sugiram temas pelos quais se interessam.

Paraíso é à direita

Atenção para a PEC 32/2006

The newly elected president of the Chamber of ...

Image via Wikipedia

Muita atenção a PEC 32/2006. Mudar isto agora não é bom, parece que querem blindar a Dilma contra o risco Temer.

Abre o olho oposição!

A única vantagem desta Proposta de Emenda Constitucional é que veremos o PT e o PMDB se engalfinhando nos próximos dias. Quem aposta que o PT vai ser favorável e o PMDB contra?