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O Silêncio da Veja: perguntem a @gnribeiro e @diegoescosteguy

Pedro AbramovayNo sábado 23 de outubro, uma semana antes das eleições, o jovem jornalista Gustavo Ribeiro começava sua matéria com o seguinte texto:

Estamos a menos de uma semana das eleições e, como escreveu o correspondente Stuart Grudgings, da agência noticiosa Reuters, políticos e jornalistas correrão às bancas mais próximas para ver se será esta a edição de VEJA que vai abalar a liderança de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais. Embora a análise do funcionário da Reuters demonstre um total desconhecimento do que seja jornalismo, atividade em que os fatos fazem as notícias e não o contrário, ele acertou em seu diagnóstico a respeito da ansiedade que as capas de VEJA provocam no meio político. A reportagem que se vai ler a seguir não foge à regra. Ela revela, talvez da maneira mais clara até hoje, o tipo de governo produzido pela mentalidade petista de se apossar do estado, aparelhá-lo e usá-lo em seu benefício partidário. VEJA já havia demonstrado nas reportagens “O polvo no poder” e “A alegria do polvo” como a Casa Civil fora transformada em um balcão de negócios, em que maços de dinheiro vivo apareciam nas gavetas de escritórios a poucos metros da sala do presidente da República. A presente reportagem relata as tentativas ousadas de petistas de alto coturno de conspurcar um dos mais antigos e venerandos ministérios da República, o da Justiça.

Confesso que de todas as reportagens da Veja deste ano, pensei ser esta a que teria maior potencial devastador para a candidatura Dilma. Pelo fato de possuir gravações a matéria poderia ter muitos desdobramentos, inclusive com a divulgação das fitas que até hoje estão guardadas no cofre da Editora Abril.

Passou uma semana e nada aconteceu. No dia seguinte, domingo 31, Dilma foi eleita com mais de 56% dos votos. Veio a semana seguinte e foi Tropa de Elite a capa, hoje vejo que também não houve nenhuma novidade.

Li ontem no twitter de @diegoescosteguy que: “Há momentos nos quais a prudência aconselha a reflexão e o silêncio parcimonioso. Este é um deles.

No dia 29 de outubro ele dizia: “Silêncio necessário, porém produtivo. Até mais.

E no dia 27 dois breves twetts: “Espero que as eleições terminem no próximo domingo.” e “Apurando.

O que estaria acontecendo com a Revista Veja? Alguém sugere algo?

Silvio Santos na corda bamba e Meirelles pode rodar também

Assista o vídeo abaixo (2 minutos para rir)

Agora veja um trecho da matéria do Estadão:

BRASÍLIA – A fraude de R$ 2,5 bilhões sofrida pelo Banco Panamericano foi encontrada há pouco mais de cinco semanas por técnicos do Banco Central. O problema foi detectado quando eram analisadas operações de crédito vendidas pela financeira do Grupo Silvio Santos aos grandes bancos de varejo. Na análise feita pelo BC, foi constatado que essas instituições haviam adquirido operações do Panamericano em número menor que o declarado pela financeira do empresário Silvio Santos. É como se o comprador declarasse a aquisição de 10 carteiras, mas o vendedor registrava a venda de 50 operações.

Concorda que o Presidente do BC, Henrique Meirelles, pode se enrolar com isto? Lembram do Chico Lopes?

A profecia de Corisco parte I – Fernando Affonso Collor de Mello

A profecia de Corisco só pode ser enunciada após uma recapitulação histórica.

Em 1992 na Revista Veja Edição número 1236, de 27/05/1992 que pode ser acessada pelo arquivo digital da editora Abril mostra a entrevista cujo título era “Pedro Collor conta tudo”. Começava naquele momento o calvário de Fernando Collor que teria um desfecho em 30 de Setembro de 1992 em que a Revista Veja lança uma edição extra cuja capa estampava o título “Caiu”.

Aos interessados além da leitura das revistas do período que podem ser lidas gratuitamente na Internet eu recomendo o livro de Pedro Collor e Dora Kramer, Passando a limpo – A trajetória de um farsante onde estes episódios estão muito bem narrados.

O processo de Impeachment de Collor começou com uma petição redigida por Barbosa Lima Sobrinho e Marcelo Lavenère que foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e acolhido por ele. Levado à votaçãoem plenário a abertura do processo de impeachment foi aceita por 441 votos a favor, 38 contra, 1 abstenção e 23 ausências.

O processo seguiu para o Senado, mas o resto da história não interessa para a profecia de Corisco, prestem atenção apenas aos negritos.

Fios desencapados de Dilma (2): Vinícius Oliveira de Castro

Para quem não lembra dele é o da capa da Veja em que aparece falando: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”, esta frase foi contada por alguém que a Veja entrevistou e portanto está gravado conforme diz a matéria:

Lançado ao centro do turbilhão de denúncias que varre a Casa Civil, Vinícius Castro confidenciou o episódio da propina a pelo menos duas pessoas: seu tio e à época diretor de Operações dos Correios, Marco Antonio de Oliveira, e a um amigo que trabalhava no governo. Ambos, em depoimentos gravados, confirmaram a VEJA o teor da confissão.

Antes de cair em desgraça, o assessor palaciano procurou o tio e admitiu estar intrigado com a incrível despreocupação demonstrada pela família Guerra no trato do balcão de negócios instalado na Casa Civil. Disse o assessor: “Foi um dinheiro para o Palácio. Lá tem muito negócio, é uma coisa. Me ofereceram 200 000 por causa do Tamiflu”.

Vinícius era sócio de Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra. A gripe suína H1N1 ocorreu quando Dilma era ministra, portanto o rolo é grande.

Imaginemos que Vinícius resolva falar o que sabe? Ou seu tio Marco Antonio convoque uma coletiva de imprensa para contar como funcionaria o balcão de negócios na Casa Civil sob Dilma.

Será que foi só o Tamiflu que deu propina, segundo o depoimento das duas testemunhas?

Este é o segundo fio desencapado, também com alta tensão.

Fios desencapados de Dilma (1): Romeu Tuma Jr

Vou começar do final, do último fio desencapado, quando acabarem os fios podemos fazer uma profecia. Este fio tem alta tensão, milhares de volts, alto poder de devastação naquele que encostar nele e o pior: está desencapado, vivinho, sem proteção.

Aqueles que leram a obra de Gregório Marañon: “Tibério: a história de um ressentimento” poderão apreciar o poder que tem o ressentimento, o poder maléfico, mas que algumas vezes pode jogar luz nas trevas do crime.

Talvez tenha sido o ressentimento que motivou Roberto Jefferson a conceder a entrevista a Renata Lo Prete? Não saberemos. Mas sabemos que Romeu Tuma Jr tem motivos de sobra para estar aborrecido com o governo Lula e o futuro governo Dilma.

A capa da Veja que saiu no sábado, 23/10/2010 tinha alto poder de destruição, muita gente ficou se perguntando porque a Veja não publicou as fitas, não soltou elas no Jornal Nacional. Eu não sei a resposta, sei que no maior jornal televisivo do país, frases como “Eu não aguento mais a Dilma e o Gilberto Carvalho pedirem para eu fazer dossiê, quase fui preso como um dos aloprados”, ditas por Pedro Abramovay, talvez pudessem ter impedido Dilma de vencer a eleição.

O que mais há nestas fitas? Será que com elas se prova a ligação de Dilma com dossiês? Sabemos que ela não gosta desta palavra, prefere dizer “banco de dados”. Não importa, este fio desencapado pode dar muito choque ainda.